O cenário político de Santa Catarina se mostra em plena ebulição, com o Partido Liberal (PL) no centro de intensas disputas internas que prometem acirrar as próximas eleições. Os embates, que vêm à tona nas redes sociais e nos bastidores, revelam uma profunda divisão dentro da legenda, refletindo as complexas dinâmicas nacionais entre diferentes alas do bolsonarismo. Essa fragmentação ameaça a coesão de um dos partidos mais fortes no estado, mesmo com a projeção de eleger as maiores bancadas na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal.
Um dos focos de tensão envolve a deputada federal Júlia Zanatta (PL) e a jovem vereadora de Biguaçu, Bia Borba. Zanatta, em desabafo nas redes, criticou a falta de gratidão de "novas lideranças" que teriam se beneficiado de seu apoio, apontando para Borba como o principal alvo. A vereadora, eleita em 2024 com o auxílio de Zanatta, agora é vista como potencial candidata à Câmara Federal, com apoio do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e da deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PL). Essa movimentação teria irritado Zanatta, que se alinha a Eduardo e Carlos Bolsonaro, contrapondo-se ao grupo de Nikolas e Campagnolo, o que adiciona uma camada de complexidade à disputa interna no partido.
A guerra interna no PL catarinense se estende para além do embate entre Zanatta e Borba. A deputada federal Carol de Toni (PL) tem sido alvo de ataques supostamente orquestrados por um "gabinete do ódio" ligado a Carlos Bolsonaro, em uma aparente tentativa de desidratar sua pré-candidatura ao Senado. Além disso, a saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro e as declarações divergentes de Carlos e Michelle Bolsonaro sobre o tema evidenciam as tensões familiares e políticas que impactam a legenda. Essas controvérsias apontam para uma eleição onde as batalhas internas no PL serão tão significativas quanto as disputas contra os adversários políticos.
Enquanto o PL lida com suas divisões, outras forças políticas catarinenses buscam fortalecimento e alinhamento. A centro-esquerda, por exemplo, tem demonstrado um notável clima de união, superando as desavenças passadas para convergir em torno de um projeto liderado pelo ex-deputado estadual Gelson Merisio (PSB) como pré-candidato ao Governo do Estado. A decisão do PSOL de se somar a esse movimento é vista como um marco significativo. O MDB, por sua vez, celebrou o fim da janela partidária, conseguindo manter sua bancada parlamentar e resistindo às intensas investidas do governador Jorginho Mello (PL), que tentou atrair deputados e suplentes, com a exceção do vice-prefeito de São José, Michel Schlemper, que se filiou ao PL.

